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Imprensa Oficial e Academia Paulista de Letras (APL) publicam livro sobre o papel das Academias de Letras no século 21, com 100 depoimentos de pessoas dos vários setores da sociedade. O lançamento, em tiragem reduzida, não será comercializado e marca as comemorações pelo centenário da APL.
O mito das academias
Imprensa Oficial do Estado de São Paulo / Academia Paulista de Letras
José Renato Nalini (org.)
324 páginas
Qual o sentido de uma Academia de Letras no século 21? Essa pergunta recorrente na vida de José Renato Nalini, atual presidente da Academia Paulista de Letras (APL), foi a inspiração para a produção do livro "O mito das academias", editado pela APL com o apoio da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Este é o segundo livro lançado pelas duas entidades neste ano. "100 anos da Academia Paulista de Letras", com o perfil de cada um dos acadêmicos e a história da APL desde sua fundação, foi considerado pelo Prêmio Pini de Excelência Gráfica como o melhor livro institucional editado em 2009.
Intrigado com esse questionamento, Nalini decidiu ouvir aqueles que poderiam dar uma resposta à sua inquietação. O trabalho resultou em 100 depoimentos de pessoas de vários setores da sociedade, como empresários, políticos, jornalistas, escritores e celebridades. "Não excluí ninguém que pudesse opinar e nutria especial interesse em ouvir os detratores e os incrédulos. Afinal, não são poucos os que identificam o convívio acadêmico e o anacrônico academicismo ou pedantismo", explica o presidente da APL na apresentação da obra.
Entre as personalidades presentes no livro, estão o governador do Estado de São Paulo, José Serra, o secretário de Estado de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, o prefeito da cidade de São Paulo, Gilberto Kassab, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, o bibliófilo José Mindlin, os escritores Moacyr Scliar e Lygia Fagundes Telles, a consultora de moda Costanza Pascolato e o publicitário Roberto Duailibi.
"Mitos da Academia" marca o centenário da Academia Paulista de Letras, fundada em 27 de novembro de 1909 pelo médico carioca Joaquim José de Carvalho. Nalini considera que a proposta inicial da publicação foi ultrapassada. Para ele, restou a dúvida quanto ao título do livro. "O significado de uma Academia de Letras seria a alternativa óbvia, embora a mais apropriada. Optou-se por Mitos da Academia. A ideia de congregar 40 intelectuais quando milhares de outros também poderiam integrar uma instituição destinada ao cultivo do vernáculo e ao estímulo da escrita e da leitura afeiçoa-se com fidelidade à concepção de mito", conta o presidente da APL. Para ele, é sensato creditar à ideia de Academia de Letras o contorno da ilustração simbólica de uma situação humana considerada exemplar para um determinado grupo. "Nesse contexto, a Academia, como instituição, é uma imagem-força que perdurou e ainda exerce um fascínio", destaca Nalini.
Em seu depoimento, o ex-presidente da ABL (Academia Brasileira de Letras), Cícero Sandroni, diz que o principal papel da entidade é o de zelar pela língua e a literatura nacional. "Este é o seu pressuposto maior. Contudo, isso não implica que a Academia tenha o poder de decretar a forma como a língua será escrita. Até porque uma das principais características da literatura é a de transgredir as normas gramaticais - que o digam Dante, Shakespeare, Camões, Gregório de Matos e Gonçalves Dias, entre outros".
Outra função da instituição seria o de recuperar a imagem de escritores esquecidos, pois cabe a ela o resgate de obras que não circulam mais, fazendo no plano editorial aquilo que as editoras não fazem. "Isso porque a língua, assim como a literatura, são as coisas mais movediças e mutáveis do mundo. Daí, a Academia se abrir, modernamente, para todas as outras áreas de manifestação artística e do pensamento, como a filosofia, o teatro, a música, etc., já que, por sua importância enquanto instituição, ela tornou-se um polo irradiador de cultura, num retorno à sua origem grega", destaca Sandroni.
Para o diretor-presidente da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Hubert Alquéres, à Academia e seus guardiões da língua é devida a árdua tarefa de, ao mesmo tempo, aceitar sem preconceitos as benéficas mutações da língua e protegê-la das violações a que está sujeita. "Quanto à tecnologia, que a princípio parece romper o arcabouço das tradições, esta há de ser aceita e seja ela bem-vinda. Afinal, citando o escritor e jornalista George Orwell, "o homem é tão bom quanto seu desenvolvimento tecnológico o permite ser"
O ex-governador de São Paulo (1982-1983), José Maria Marin, lembra com grande admiração a entidade e os que hoje ocupam suas cadeiras. "Nos meus tempos de governador, respeitei a Academia Paulista de Letras e lutei para que as escolas públicas do Estado ampliassem a difusão de livros junto às crianças e aos jovens. Outros governantes estão nessa luta. E isso é muito bom. É uma luta sem generais, uma luta em que todos nós somos soldados, uma luta em que uma Academia de Letras empunha a espada e prova que o livro, como símbolo da cultura, resiste ao tempo e à modernidade. O livro é a mescla da saudade com a modernidade. E tem na Academia a sua guardiã", finaliza José Maria Marin.
Mais informações para a imprensa com Maria Fernanda Rodrigues (Lu Fernandes Comunicação e Imprensa) pelo telefone (11) 3814-4600
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